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Inauguração da Praça Quilombola em Búzios


Turismo

Será inaugurada em Búzios neste sábado (12), às 9h. a Praça Quilombola, na Praia Gorda, bairro Praia Rasa.Na Praça, a  construção começou em  2014,  há um  busto, que representa uma mulher da etnia banto, que foi esculpido  pelo artista Gilmário Santana, em uma pedra bruta extraída em São Pedro da Aldeia.  A Praça também conta com um anfiteatro  para apresentações ao ar livre.   O, de acordo com a Prefeitura,  local foi escolhido por ser  um marco do ponto de desembarque do tráfico de escravos na Região.

 

Na Praça, a  construção começou em  2014,  há um  busto, que representa uma mulher da etnia banto, que foi esculpido  pelo artista Gilmário Santana, em uma pedra bruta extraída em São Pedro da Aldeia.  A Praça também conta com um anfiteatro  para apresentações ao ar livre.   O, de acordo com a Prefeitura,  local foi escolhido por ser  um marco do ponto de desembarque do tráfico de escravos na Região.

O bairro da Rasa possui uma área quilombola reconhecida em 2005 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e pela Fundação Palmares, em 2005. O local reúne moradores descendentes de escravos que mantiveram vivas ao longo do tempo as principais tradições da cultura africana.  O Quilombo da Rasa teria se originado de escravos da antiga Fazenda Campos Novos. Mas também há a narrativa  de um naufrágio nesta área, de onde teria se originado uma parte da comunidade.

A conversão de grande parte da comunidade da Rasa ao protestantismo, na década de 50, não apagou as recordações do jongo, das festas de folia de reis, de calango e das festas do boi.

As duas narrativas 
De acordo com a neta de escravos, e liderança dos remanescentes do Quilombo Rasa. Dona Uia, sobre esse afundamento existem duas versões. A primeira narra que o Pai Vitório era o nome de uma nau negreira clandestina de origem portuguesa que afundou próximo ao morro do mesmo nome.

A lenda explana que certa noite de inverno quando tudo estava nublado e águas agitadas, chegou uma nau lusa repleta de negros, entre homens, mulheres e crianças, todos nus e com grilos nos tornozelos. A longa viagem da embarcação negreira que vinha desde a África ocidental, todos cansados com fome e sede, foi afundada pela armada inglesa perto aos rochedos da Ponta que leva o nome de Pai Vitório. Os poucos sobreviventes fugiram para as restingas da Rasa, naquela época tudo era mato, escondendo-se detrás da ex-fazenda Vila Verde. Parece que existe um cemitério de negros próximo a essa antiga fazenda.

A segunda versão conta que um jovem africano, exímio nadador, foi o único que conseguiu salvar-se dessa tragédia. Teria sido um milagre. Com o passo do tempo, esse homem, salvo pelas águas da Rasa, foi conhecido como o Pai Vitório, em lembrança da nau afundada, que se transformou em pregador da religião cristã. Assim, esse padre rezador de origem africana era carismático, respeitado e milagroso. O abade, de estatura média, magro e de cabelos brancos, vestia uma túnica de cor marrom que chegava até o chão. O Pai Vitório subiu no topo do morro, que hoje leva o seu nome, ascendendo uma lâmpada permitiu iluminar a rota para o

 
desembarque, do contrário eles encalhariam em naufrágio e morreriam batidos contra as rochas. E assim, o pai Vitório salvou centenas de pessoas e com sua reza curava outras tantas, os quais seriam posteriormente os primeiros habitantes da Rasa, sendo o bisavô do Senhor Luiz da Rasa e, porém, dos prístinos buzianos.

De acordo com pesquisadores, a análise comparativa dessas duas versões faz concluir que a primeira tem a ver mais com a realidade do contexto sócio-histórico colonial e a segunda é uma criação de um personagem imaginário bom, cristão, herói e salvador frente aos maus, os ingleses.

Naquele momento, Búzios tinha-se transformado em ponto clandestino de desembarque de escravos africanos liderado por José Gonçalves da Silva, sendo perseguidos pela marinha inglesa e brasileira, os quais ancoravam tanto nas praias José Gonçalves e Caravelas quanto nas da Gorda e da Rasa e daí levados para a Fazenda de Campos Novos através da trilha do Trapiche.

Em suma, esta lenda constitui uma das mais ricas histórias da colônia de Armação dos Búzios e do surgimento do bairro da Rasa em 1850.

Fonte: Prensa de Babel – Publicado em 09 mai 2018, 14:45


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